Pneu careca na frota: multa, limite legal e quando trocar

O limite legal é 1,6 mm de sulco. Veja o valor da multa por pneu careca, o que mais reprova na fiscalização e como controlar os pneus da frota.

Equipe Cofauto 9 min de leitura
Capa do artigo do Cofauto com o título 'Pneu careca na frota' em fundo roxo da marca e a linha de apoio sobre o limite legal de sulco, a multa aplicável e o momento certo de trocar o pneu

Nenhum gestor de frota decide rodar com pneu careca. Ainda assim é um dos itens que mais aparecem em autuação de conservação, porque o desgaste não avisa. O pneu não para de funcionar de um dia para o outro como um alternador: perde alguns décimos de milímetro por mês, sempre dentro do que parece aceitável, até a manhã em que já não está. E quem descobre costuma ser o agente na blitz, não a empresa.

A vantagem é que esse é um dos poucos itens de manutenção com um número fechado na norma. Não é "a critério do fiscal": existe uma medida, ela vale para todo veículo automotor no país e dá para conferir olhando o próprio pneu.

O limite é 1,6 mm — e a norma mudou em 2022

Durante quatro décadas o assunto era tratado pela Resolução CONTRAN nº 558, de 1980. Ela foi revogada. Hoje vale a Resolução CONTRAN nº 913, de 28 de março de 2022, que dispõe sobre o uso de pneus em veículos desde 1º de abril de 2022. Procedimento interno que ainda cita a 558/80 está com a referência errada — o número de 1,6 mm, esse não mudou.

O artigo 4º é direto: fica proibida a circulação de veículo automotor equipado com pneu cujo desgaste da banda de rodagem tenha atingido os indicadores, ou cuja profundidade remanescente da banda de rodagem seja inferior a 1,6 mm.

Repare no "ou": são dois critérios independentes, e basta um deles para o pneu estar irregular. O § 1º completa que a profundidade remanescente será constatada visualmente por meio dos indicadores de desgaste. O agente não precisa de instrumento nenhum — se a banda chegou ao nível do ressalto no fundo do sulco, acabou a discussão ali mesmo.

Infográfico do Cofauto com quatro números sobre pneu abaixo do limite legal: 1,6 mm de profundidade mínima de sulco, R$ 195,23 de multa de natureza grave, 5 pontos na CNH do condutor e prazo máximo de 30 dias para regularizar

Quanto custa rodar abaixo do limite

O art. 22 da Resolução nº 913/2022 sujeita o infrator às sanções do inciso X do art. 230 do Código de Trânsito Brasileiro — conduzir o veículo com equipamento obrigatório em desacordo com o estabelecido pelo CONTRAN. É infração de natureza grave, e o valor está fixado no art. 258 do CTB.

O que aparece no autoO que significa
EnquadramentoArt. 230, X do CTB (código 664-50)
NaturezaGrave
MultaR$ 195,23
Pontuação5 pontos na CNH
Medida administrativaRetenção do veículo para regularização
Quem respondeO proprietário do veículo

A linha mais cara não é a multa: é a retenção. Pelo art. 270 do CTB, se a irregularidade puder ser sanada no local, o veículo é liberado assim que a situação for regularizada — alguém precisa levar um pneu até lá. Se não der, e havendo condições de segurança para circular, ele é entregue a condutor habilitado mediante recolhimento do CRLV, com prazo de até 30 dias para regularizar. Some o veículo parado, o deslocamento de quem foi socorrer e a entrega que não aconteceu: a multa vira o menor item da conta.

E há um detalhe que muda a lógica em frota: o art. 257, § 2º do CTB atribui sempre ao proprietário a responsabilidade pela infração referente à prévia regularização e à conservação do veículo. Pneu é conservação. Não adianta contar com a indicação de condutor aqui — ela resolve as infrações de direção, caso tratado em multa NIC: como indicar o condutor. Essa aqui nasce da empresa.

O que mais reprova, além do sulco

Sulco é o critério mais conhecido, mas a Resolução nº 913/2022 traz outros que costumam passar despercebidos na inspeção interna:

  • Pneus diferentes no mesmo eixo. O art. 4º, § 2º exige que, no mesmo eixo e simetricamente montados, os pneus sejam de idêntica construção, mesmo tamanho e mesma carga, em aros de dimensões iguais. A assimetria só é tolerada quando vem da troca de roda de reserva, em emergência.
  • Roda com quebra, trinca ou deformação. Proibida pelo art. 5º, caput. Vale olhar a roda, e não só a borracha, em veículo que pega buraco e meio-fio com frequência.
  • Pneu reformado onde não pode. O art. 5º proíbe recapagem, recauchutagem ou remoldagem em ciclomotores, motonetas, motocicletas e triciclos, e no eixo dianteiro de ônibus e micro-ônibus. Note o que a lista não inclui: a norma não veda pneu reformado no eixo dianteiro de caminhão.
  • Reformado sem identificação. Pelo art. 3º, o pneu reformado tem de trazer gravada no flanco a palavra "reformado" e a marca do reformador, com dimensões entre 10 mm e 20 mm.
  • Estepe temporário gasto. Pelo art. 10, o pneu do conjunto sobressalente serve enquanto a profundidade dos sulcos for maior que 1,6 mm. Estepe careca no porta-malas não conta como estepe.

Como medir o sulco em 30 segundos

  1. Ache o TWI. No flanco do pneu existem marcações — a sigla TWI, um triângulo ou a logomarca do fabricante — apontando para os pontos onde ficam os indicadores de desgaste: pequenos ressaltos de borracha no fundo do sulco.
  2. Compare a banda com o ressalto. Se a superfície de rodagem chegou ao mesmo nível do indicador, o pneu atingiu o limite. É exatamente o critério visual do § 1º do art. 4º, o mesmo que o agente vai usar.
  3. Meça em três pontos. Ombro interno, centro e ombro externo, com um medidor de profundidade (custa menos que um almoço). O menor dos três é o que vale.
  4. Registre o número, não o "ok". "Pneu ok" no papel não serve para nada daqui a três meses. "Dianteiro esquerdo 4,2 mm" serve: dá para calcular milímetros por mil quilômetros e prever a troca antes da urgência.

O padrão do desgaste conta a causa

Medir em três pontos tem um segundo uso, de manutenção e não de fiscalização: a diferença entre eles aponta a causa. Desgaste concentrado no centro, com os ombros preservados, costuma indicar pressão acima da recomendada; nos dois ombros com o centro inteiro, o contrário. Desgaste só de um lado aponta para geometria — alinhamento e cambagem. Desgaste em escamas, com aquela sensação de serrilhado ao passar a mão, normalmente é balanceamento ou suspensão cansada. Trocar o pneu sem corrigir a causa é comprar o mesmo problema de novo.

Quando trocar: escolha um número acima de 1,6 mm

Aqui está o erro mais comum de gestão. Se a regra é "trocar ao chegar em 1,6 mm", a frota vai rodar abaixo do limite legal — entre a medição, a aprovação da compra e a troca no borracheiro existem dias ou semanas de operação. O gatilho precisa vir antes.

O número exato importa menos do que ele existir, estar escrito e valer para todo mundo. Defina um limite de alerta acima do mínimo legal e trate-o como gatilho de compra, deixando 1,6 mm como a linha do "não sai da garagem". Depois de dois ou três ciclos medidos, os seus próprios números dizem qual folga basta.

Na hora de comprar, vale olhar a etiqueta. Todo pneu novo vendido no Brasil carrega a ENCE do Programa Brasileiro de Etiquetagem, do Inmetro, com três classificações de A a G: resistência ao rolamento, aderência em piso molhado e ruído. A primeira é a que aparece no combustível ao longo dos meses; a segunda, na distância de frenagem em dia de chuva. Para quem acompanha o custo por km rodado, essas letras deixam de ser detalhe técnico e viram variável de custo.

Como montar o controle de pneus da frota

  1. Controle a posição, não o veículo. O desgaste é diferente em cada uma das quatro ou seis posições, mais o estepe. Registrar "pneus do carro X" esconde justamente o que está pior.
  2. Defina a frequência por quilometragem, não por calendário. Um veículo que roda 4.000 km por mês e outro que roda 800 km não podem ser medidos no mesmo intervalo.
  3. Encaixe a conferência no checklist de saída. O motorista não precisa de instrumento todo dia: precisa olhar o TWI, olhar a roda e reportar desgaste desigual. Com foto, o registro fica auditável.
  4. Escreva o gatilho e o dono da decisão. Milímetro de alerta, quem é avisado, quem autoriza a compra e em quantos dias a troca acontece. Sem prazo, o alerta vira item eterno na lista.
  5. Feche o custo por pneu. Valor pago dividido pelos quilômetros que ele entregou. É esse número, e não o preço da nota, que compara fornecedor, marca e política de rodízio.

Checklist rápido

  • Sulco medido em três pontos, em cada posição, com o valor anotado
  • Nenhuma banda de rodagem no nível do indicador de desgaste (TWI)
  • Pneus do mesmo eixo com mesma construção, tamanho, carga e aro
  • Rodas sem trinca, quebra ou deformação visível
  • Pressão conferida com o pneu frio, na especificação do fabricante do veículo
  • Estepe medido e calibrado junto com os pneus rodantes
  • Pneu reformado com a palavra "reformado" e a marca do reformador no flanco
  • Gatilho de troca escrito, com responsável e prazo definidos
Infográfico do Cofauto com o checklist de pneus da frota em oito itens, entre eles medir o sulco em três pontos, manter a banda acima do TWI, usar pneus iguais no mesmo eixo e registrar a medida com número e data

Nada nessa lista exige sistema ou consultoria. Exige que a medição vire número com data, e que alguém compare esse número com o do mês passado. É a diferença entre saber que o pneu acaba em outubro e descobrir na blitz que ele acabou ontem.

Perguntas frequentes

Qual é o valor da multa por pneu careca?

A conduta é enquadrada no art. 230, inciso X do CTB — infração de natureza grave, multa de R$ 195,23, 5 pontos na CNH e retenção do veículo para regularização. O enquadramento vem do art. 22 da Resolução CONTRAN nº 913/2022, que remete a esse inciso.

A multa por pneu careca é do motorista ou da empresa?

Da empresa, quando ela é a proprietária. O art. 257, § 2º do CTB atribui sempre ao proprietário a responsabilidade pelas infrações referentes à prévia regularização e à conservação do veículo, e pneu entra em conservação. A pontuação recai sobre o condutor identificado.

Pneu recapado é proibido na frota?

Não em geral. A Resolução CONTRAN nº 913/2022 proíbe pneus reformados em ciclomotores, motonetas, motocicletas e triciclos, e no eixo dianteiro de ônibus e micro-ônibus. Fora dessas hipóteses o uso é permitido, desde que o pneu traga gravadas a palavra "reformado" e a marca do reformador.

Posso usar pneus de marcas diferentes no mesmo veículo?

A norma não fala em marca. O art. 4º, § 2º exige que os pneus do mesmo eixo, simetricamente montados, tenham idêntica construção, mesmo tamanho e mesma capacidade de carga, em aros iguais. A assimetria só é aceita quando decorre da troca de roda de reserva em emergência.

O veículo fica apreendido quando o pneu está abaixo do limite?

A medida administrativa é retenção, não apreensão. Pelo art. 270 do CTB, se a irregularidade puder ser sanada no local, o veículo é liberado assim que for regularizada. Se não for possível, e havendo condições de segurança para circular, ele é entregue a condutor habilitado mediante recolhimento do CRLV, com prazo de até 30 dias para regularizar.

Fontes

Conteúdo informativo, atualizado em 12/08/2026. Regras de trânsito e valores mudam por estado e por resolução — confirme sempre no órgão oficial antes de decidir.

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