
Pneu careca na frota: multa, limite legal e quando trocar
O limite legal é 1,6 mm de sulco. Veja o valor da multa por pneu careca, o que mais reprova na fiscalização e como controlar os pneus da frota.
Guia prático para montar o plano de manutenção preventiva da frota: como definir o gatilho de cada serviço, virar data com responsável e medir o resultado.

Existe um jeito rápido de descobrir se a sua frota tem plano de manutenção: pergunte quais veículos entram na oficina nos próximos 30 dias. Se a resposta depende de alguém ligar para o mecânico e perguntar, não existe plano — existe uma fila de reação. E fila de reação segue sempre o mesmo roteiro: o carro para no dia mais cheio, o guincho custa mais que o conserto, a peça não está no estoque e o que era troca de correia virou serviço de cabeçote.
Plano de manutenção preventiva não é um documento bonito para mostrar em auditoria. São três respostas, por veículo: o que precisa ser feito, quando e quem avisa. Este guia monta isso do zero com o que a maioria das frotas já tem hoje — o manual do fabricante, o hodômetro e o motorista que dirige o carro todo dia.
Corretiva é consertar depois que quebrou. Preventiva é intervir por gatilho — quilometragem, tempo ou horas de uso — antes de falhar. Preditiva é decidir pelo estado real do componente, com análise de óleo, medição de vibração ou dado de telemetria.
Boa parte das frotas pequenas e médias vive na corretiva achando que está na preventiva, porque leva o veículo para revisar quando dá. O salto de dinheiro está em sair da primeira para a segunda. A preditiva vem depois e só funciona quando já existe histórico: sem registro de serviço, não há o que prever.
Antes de intervalo, cadastro. Para cada veículo você precisa de seis informações, e nenhuma delas exige sistema:
A terceira linha é a que mais gente pula e a que mais muda o plano. Rodar 2.000 km por mês em cidade, com trânsito parado, poeira e veículo carregado, castiga mais do que 2.000 km de rodovia. Os manuais chamam isso de condição severa de uso e trazem uma tabela própria, com intervalos reduzidos. É essa coluna que vale para a maioria das frotas urbanas e de entrega — não a de uso normal.
Todo item de manutenção responde a um destes três gatilhos, e a regra é sempre o que ocorrer primeiro. Quilometragem mede desgaste de uso. Tempo mede envelhecimento — fluido que absorve umidade, borracha que resseca, bateria que perde carga. Hora de funcionamento vale para equipamento com horímetro e para veículo que passa horas ligado parado.
O óleo é o exemplo clássico. O carro que roda 300 km por mês nunca vai atingir o gatilho de quilometragem, mas o óleo envelhece parado, com condensação e oxidação. Nele, o gatilho é tempo. Frota que só olha hodômetro trata esse veículo como se ele não existisse — até o dia em que ele existe, no meio de uma viagem.

Os intervalos de cada linha saem do manual do modelo, não de média de mercado. Dois utilitários do mesmo ano podem ter intervalos bem diferentes de correia e de fluido. Errar para mais é caro; errar para menos é dinheiro jogado fora em troca antecipada.
Intervalo em quilômetro não cabe em agenda. Converta: divida o que falta para o gatilho pela média mensal do veículo e você tem o mês provável do serviço. Um veículo que roda 2.000 km por mês, com troca prevista a cada 10.000 km e 4.000 km já rodados desde a última, volta para a oficina em torno de três meses. Repita isso para cada item e o plano vira calendário.
Depois vêm as duas decisões que fazem o plano funcionar fora do papel:
Se quiser começar sem montar planilha do zero, o calendário de manutenção preventiva do Cofauto é gratuito e já vem com a estrutura de itens, gatilhos e datas.
O plano cobre o previsível. O checklist diário pega o que aparece no meio do caminho e pega cedo, enquanto ainda é barato: pneu murcho, mancha de óleo no chão, luz acesa no painel, ruído novo, nível abaixo do mínimo.
Duas regras aumentam muito a taxa de acerto. A primeira: o checklist tem que ser rápido. Se leva mais de dois minutos, o motorista marca tudo como "ok" e você perde o dado. A segunda: precisa de foto. Registro fotográfico na saída e na devolução encerra a discussão do "já estava assim" e transforma o relato do motorista em item do plano. Pneu é o achado mais comum — e é dos poucos itens com número fechado na norma, 1,6 mm de sulco.
Manutenção em atraso não é só risco de quebra: é infração de trânsito, e nessa categoria a conta cai sobre quem é dono do veículo. Conduzir veículo em mau estado de conservação, comprometendo a segurança, está no art. 230, inciso XVIII do Código de Trânsito Brasileiro: infração de natureza grave, multa de R$ 195,23, cinco pontos e retenção do veículo para regularização.
O mesmo artigo, no inciso IX, alcança equipamento obrigatório ineficiente ou inoperante — também grave. Na prática, entra aí exatamente o que a manutenção deixou passar: limpador que não limpa, farol queimado, cinto travado, buzina muda.
O que costuma caracterizar mau estado de conservação numa abordagem: corrosão comprometendo a lataria, porta ou parachoque preso no improviso, banco solto, cinto ausente, parabrisa trincado na área de visão do condutor e pneu abaixo do limite legal. Nenhum desses itens aparece do dia para a noite — todos passam antes pelo checklist de alguém.
Como régua rápida, os valores base por gravidade do art. 258 do CTB: leve R$ 88,38, média R$ 130,16, grave R$ 195,23 e gravíssima R$ 293,47. Vale lembrar que a multa é o menor dos custos — o veículo retido no meio da operação costuma custar mais que o valor da autuação.

Nada nessa lista exige software. Exige que os intervalos saiam da cabeça de alguém e virem data com responsável, e que todo serviço feito volte para o histórico do veículo. Quando isso está de pé, o dado começa a trabalhar a favor: você deixa de decidir pelo que lembra e passa a decidir pelo que o veículo mostrou nos últimos doze meses.
Pelos dois, valendo o que vier primeiro. A quilometragem mede desgaste de uso; o tempo mede envelhecimento de fluido, borracha e bateria, que acontece mesmo com o veículo parado. Frota que controla só o hodômetro perde os veículos de baixa rodagem.
O que sustenta a garantia é o serviço ter sido feito no intervalo previsto pelo fabricante, com peça e fluido dentro da especificação, e você conseguir comprovar isso. Guarde nota fiscal com km, data e descrição do que foi trocado. Antes de tirar um veículo da rede autorizada, leia as condições da garantia daquele fabricante — cada um define as suas.
Planilha resolve o cadastro e os intervalos. O que ela não faz é avisar. Até cerca de dez veículos, um calendário com lembrete dá conta; acima disso, o aviso manual costuma ser a primeira coisa a falhar num mês corrido.
Precisa, e é o mais esquecido da frota. A bateria descarrega, o pneu deforma no ponto de apoio, o fluido de freio absorve umidade e as borrachas ressecam. Para esses veículos o gatilho é tempo, e vale programar alguns quilômetros de rodagem por mês.
A cada seis meses, ou sempre que o perfil de uso mudar: rota nova, motorista novo, carga diferente, veículo que passou de urbano a rodoviário. O intervalo que estava certo no ano passado pode estar errado hoje.
Conteúdo informativo, atualizado em 26/08/2026. Regras de trânsito e valores mudam por estado e por resolução — confirme sempre no órgão oficial antes de decidir.

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